Epifania

Luiz Fernando dos Santos
4/1/2019
Devocional

“Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mateus 2.2)

A festa da Epifania do Senhor que celebramos hoje na liturgia revela a universalidade da mensagem de Jesus, a suprema necessidade das nações de um salvador e assim, por conseguinte a catolicidade da Igreja . Numa única celebração temos a oportunidade de aprofundar esses grandes temas bíblicos e da teologia reformada. Ainda dentro do espírito natalino e do tempo litúrgico do Natal, a visita dos magos a Belém, sobrenaturalmente conduzidos por uma estrela, revelam o caráter universal da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Não só para Israel fora enviado o Messias com a mensagem de paz, perdão e reconciliação da parte de Deus Pai, mas desde agora, todos os povos representados nos magos seriam destinatários dessa Boa Nova. Todos os povos seriam conduzidos ao encontro com Jesus Cristo.

Uma outra verdade revelada nessa passagem bíblica é a insuficiência da sabedoria e das religiões do mundo para proporcionar paz, perdão e o adequado relacionamento com Deus. A parte de Cristo, Deus é tanto inútil, quanto perigoso para o homem. Sem Cristo, o Pai não pode suportar a malícia, a maldade e o pecado. Somente em Cristo essa nossa natureza e essa nossa indisposição para com Deus são curadas mediante o sangue sacrificial do Cordeiro de Deus. Não há bênção que possa nos alcançar se não nos for dada em Cristo que as conquistou para nós em sua cruz . O Pai nada nos oferece sem Cristo . Assim como os ‘magos’, que significam aqui ‘sábios’, depois de investigarem a sabedoria de seus antepassados, tomaram conhecimento de que a suprema verdade que liberta o homem e o coloca em uma relação correta com Deus na perspectiva do seu amor e não de seu julgamento, só seria possível mediante o Cristo nascido em Belém. Deste episódio aprendemos a desesperada necessidade que as nações têm de alguém que as tire das mentiras e enganações de Satanás, das grosseiras idolatrias das falsas religiões, da presunção científica e do niilismo existencial. De fato, a festa da Epifania não é nem um pouco ‘politicamente correta’ e complacentemente tolerante. Não. Ela reclama a exclusividade de Cristo como Salvador na singularidade de sua pessoa humanada em Jesus de Nazaré.

Por fim, nessa mesma celebração, aprendemos um pouco mais sobre a natureza da Igreja de Jesus Cristo que recebeu dele a missão de incluir no pacto, sem distinção, acepção, meritocracia, favorecimento ou privilégios homens e mulheres de todas as nações, raças, línguas e povos por meio do anúncio de Jesus Cristo como Salvador e Senhor e a chegada do Reino de Deus em forma de vida, justiça, equidade, verdade, paz e amor. Mas, isso não é tudo. Todo o episódio contemplado na festa da Epifania a luz do texto evangélico nos traz duas outras lições preciosas: “ Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda a Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo. Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo. Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no Oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra ” (Mt 2.1-11). A primeira delas é quanto a soberania de Deus no mais absoluto controle da história, sobre a cultura dos povos, os governos humanos, a natureza e as realidades espirituais. Nada é por acaso, não há um único acontecimento aleatório, ou coincidências. A tudo Deus preside e controla. A segunda, é a providência geral de Deus no cuidado do menino Jesus provendo recursos para José e Maria nas dádivas trazidas pelos magos. O ouro e os demais artefatos, coisas de muito valor no mundo antigo, certamente proveram os meios humanos para a fuga da ira de Herodes, a travessia para o Egito e a estada lá.

A Epifania é também um convite para repousarmos em Deus Senhor da história e generoso provedor nesse novo ano que iniciamos.