Pós Eleições

Luiz Fernando dos Santos
16/11/2018
Devocional

“Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça”( Pv 8.15).

Poucas vezes vimos os evangélicos tão engajados em torno de uma candidatura, como vimos nessas últimas eleições. Os melhores analistas afirmam, por exemplo, que o voto dos evangélicos, junto com os conservadores em geral fizeram toda a diferença na eleição do novo governador de São Paulo. O mesmo se pode dizer do candidato eleito para a presidência da república. Já não restam mais dúvidas que, embora os evangélicos não estejam e nem sejam unidos em torno de uma plataforma política coesa e consistente (às vezes nem coerente), já não se pode desprezar esse ‘nicho’ eleitoral. Quem não levar a sério esse enorme contingente populacional e suas demandas não logrará muito êxito nas próximas eleições. Aqui talvez tenha residido o grande erro da esquerda brasileira, escrevo sem grande conhecimento de causa, o fato de se aproximar dos evangélicos em tempos de eleições sem de fato ouvir os seus anseios e apenas se aproveitando da sede de poder de alguns líderes religiosos. A esquerda brasileira e sua legítima defesa, e ninguém poderá dizer o contrário, das minorias como a comunidade LGBT, ao invés de ser apenas propositiva e defender ações afirmativas, passou a atacar, ridicularizar, difamar e até a tentar criminalizar a fé, os princípios e os valores cristãos.

Em uma busca rápida e simples na internet você encontrará inúmeros vídeos (e não são Fake News), de parlamentares e líderes políticos de esquerda como o deputado federal pelo Rio de Janeiro Jean Wyllys, para ficar nesse, vociferando ensandecido contra a Igreja, a Bíblia, a Moral cristã e os valores da família. Em muitas ocasiões esses discursos traziam no seu bojo a defesa de pedófilos e o incentivo a essa prática criminosa, por exemplo. Como eu afirmei acima, assegurar o direito das minorias é uma legítima bandeira da esquerda e ainda, uma garantia Constitucional que deve ser apreendida por todos. Todavia, dentro daqueles pressupostos inegociáveis das liberdades, inclusive a de consciência e culto.

Claro, não posso deixar de dizer que muitos cristãos se mostraram igualmente desrespeitosos, faltosos para com o amor e intolerantes na defesa de suas posições, o que muito contribuiu para esse ambiente odioso e beligerante. Bom, agora que a ‘sorte está lançada’ e que as eleições chegaram ao fim, como a melhor maneira de os cristãos participarem ativamente da vida política do país, do estado e do município? Nossa mais decisiva participação em um primeiro momento não se dará à vista dos homens. Podemos contribuir decisivamente a partir de nosso quarto secreto de oração. É ali que as batalhas mais decisivas são travadas em todas as esferas de nossa vida, a política inclusive . É nosso dever orar, interceder por toda a classe de homens, as autoridades principalmente: “ Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade ” (1Tm 2.1-4).

Nossos líderes políticos, independentemente de sua filiação partidária, ideologia ou crença, necessitam da direção divina e de sua graça para o exercício de suas responsabilidades e para estarem sempre a altura dos cargos que ocupam. Não importa se o político seja um ateu (por convicção ou para jogar para a torcida), isso não invalida duas verdades fundamentais para nós cristãos. Primeiro que isso não diminui absolutamente em coisa alguma o fato de Deus ser Deus e o Senhor da história. Em segundo, que as nossas orações por ele não serão menos eficazes ou menos necessárias. A Bíblia relata casos de reis ímpios e descrentes que foram grandemente abençoados por Deus e capazes de grandes atos de justiça, devido a intercessão dos crentes, como Nabucodonosor, Ciro, Assuero e etc.

Devemos orar por todos os homens investidos de autoridade, não importa quem e de que partido, é nossa responsabilidade apresenta-los Àquele que governa as mentes e os corações. As ‘revoluções’ que podem ocorrer dessa atitude de oração são mais duradouras, proveitosas e benfazejas para toda a população que qualquer outra. Faremos bem se o nosso interesse por política não adormecer pelos próximos quatro anos. Os que são chamados a entrar na seara política à vista de todos para defender suas posições, que o façam. A todos, sem exceções porque estrangeiros nesse mundo, convido a atentarem para o que diz as Escrituras:

“ Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela " (Jr 27.9).