Alea Jacta Est

Luiz Fernando dos Santos
30/11/2018
Ética e Política

“ Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem ‘impuro’; mas o comer sem lavar as mãos não o torna impuro ”

(Mt 15.19,20).

“ A sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor ” (Pv 16.33).

A expressão em latim, atribuída a Júlio Cesar, imperador romano, pode ser assim traduzida: A sorte está lançada . Quando esta pastoral for publicada as eleições para governador (nos Estados onde haverá segundo turno) e presidente da república estarão em curso. Os que frequentam apenas os cultos dominicais vespertinos, seguramente a lerão somente quando as urnas já estiverem fechadas. Assim, a sorte do Brasil já estará selada.

Contudo, como cristãos nós não trabalhamos com possibilidades, probabilidades, acasos. Servimos não só a um Deus vivo, mas também a um Deus soberano que é Senhor da história e que conduz cada acontecimento, por ínfimo que seja, para o fazimento de sua vontade que é sempre boa, justa, agradável e santa .

Quando o dia primeiro de janeiro de 2019 despontar chegaremos a algumas conclusões inevitáveis. Se o partido “x” for defenestrado do poder e perder a sua influência, as notícias e denúncias de corrupção continuarão seguindo o seu rumo e ocupando espaço nos noticiários. Se o candidato “Y” sair consagrado das urnas, logo nos daremos conta de que ele não possuía ‘super poderes e não poderá trazer o paraíso à Terra.

Nosso problema com a corrupção não tem nada a ver com partidos e sistemas políticos. Sim, eles contribuem, canalizam e sistematizam a corrupção com muita eficiência, mas como disse o historiador Leandro Karnal, não é possível governo transparente com justiça e sem corrupção numa sociedade corrupta. Exigir comportamento ético de um político quando seu filho falta a aula por um motivo bobo e apresentar um atestado médico falso, é no mínimo uma incoerência.

Cometer deslizes e pequenas faltas no trânsito, parar em frente de guia rebaixada, parar em zona azul ‘rapidinho’ sem pagar ou usar o estacionamento exclusivo da farmácia para ir pagar uma conta na loja da esquina, são pequenas ações que revelam como estamos acostumados à corrupção. Reclamamos tanto da corrupção e de fato ela existe e é uma realidade que compromete o nosso futuro, sem dúvidas, não mais, porém, do que a sonegação de impostos.

Podemos até discutir a quantidade e a justiça dos impostos, contudo não deveríamos sonega-los. A somatória da sonegação de impostos é, por mais estranho que pareça, mais comprometedora do que a corrupção. O médico que cobra 50,00 em dinheiro vivo e não emite nota fiscal (porque cobra 100,00 para emitir), não é um bom cidadão. Pode até ser bom em sua especialidade, mas não ajuda em nada a sociedade e a melhoria da ética no país. O cidadão que compra produtos piratas, que não exige nota fiscal, que aceita pagar por fora, só aumenta o caldo de cultura, o ambiente favorável e o habitat desejável para o nascimento e o desenvolvimento da corrupção, que em se tratando de política, nada mais é do que a projeção e a ampliação de nossos atos corruptores e corrompidos de cada dia .

A sorte está lançada e nada será novo e diferente até que entendamos que antes da corrupção ser um problema político e social, ela (corrupção) é uma chaga aberta na alma do homem que se deixa governar pelos ídolos que seu coração fabrica, poder, sucesso, dinheiro, prazer e etc. A solução para o Brasil passa pela conversão do coração, pela mudança de comportamento mais que pela alternância partidária ou ideológica. Nenhuma mudança profunda e verdadeira ocorrerá até que homem receba um novo coração que seja capaz de projetar nas estruturas um caráter modelado pela verdade e pela justiça.